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sábado, 23 de abril de 2016

Ironman South African Championship 2016 - Relato de prova - Parte 1

Eis que surgi para tirar a poeira do blog....

Deixei totalmente de lado, motivos infinitos. Mas senti saudades porque é muito bom ler e relembrar o que passou...

Sem mais demora, vou aproveitar o retorno de viagem e contar um pouco da experiência que tive ao participar do Standard Bank Ironman South African Championship 2016.

A idéia de fazer um Ironman fora do país surgiu ao voltar da maratona de Chicago, em novembro do ano passado. Já tinha resolvido que não iria para Florianópolis, mas queria fazer um Iron distance no primeiro semestre de 2016. Ao estudar as provas, vimos que o período era bom, o preço da inscrição e da viagem pesou também e então decidimos: o segundo Ironman seria dia 10/04/2016!

Inscrição feita, tudo planejado, veio a parte melhor e mais sofrida... O ciclo de treinos!!! A parte ruim de treinar para uma prova em Abril: não teve folga nas festas de final de ano! Dieta e treinos sem chance para o panetone e a preguiça... No entanto, achei esse ciclo mais tranquilo do que o primeiro iron ano passado. Não temos mais as inseguranças de completar os pedais e corridas longas... A preocupação era outra, com a performance. Mas aí é cumprir o que mandam os treinadores, a nutrição e ver que resultado teremos no final... O cansaço sempre chega nos dois últimos meses, mas senti que administrei bem melhor.

As semanas voam e quando vi, o dia de arrumar tudo chegou. Geralmente já começo a ver tudo 15 dias antes. O checklist de um Ironman é bem grande e, em se tratando de fazer a prova em outro continente, a atenção tinha que ser redobrada para não esquecer nada. Revisão da bike, equipamentos, nutrição...
Pouco mudou em relação ao que fiz para Florianópolis, apenas alguns detalhes de nutrição. Levei tudo daqui, tudo industrializado, não quis correr o risco de precisar de algum alimento e não encontrar, ou mesmo comer na prova algo que não usei nos treinos (erro que nunca devemos cometer)...

Embarque feito, aquela apreensão de quem nunca viajou com a bike para fora do país... Quase tudo certo com o despache de malas, só o imprevisto de não poder despachar o cartucho de CO2 que levamos para troca de câmaras em caso de pneu furado. Eu estava levando quatro e sabia que não podia na mala de mão, mas já tinha despachado sem problemas outras vezes... A companhia aérea barrou, a sorte que um atendente nos avisou que estavam tendo problemas com outras pessoas que precisaram descer do avião para retirar o CO2 da mala e acabaram até perdendo vôo...

A prova acontece todo ano em Port Elizabeth, cidade litorânea que fica bem no sul da África do Sul. Não há vôos diretos para lá, só temos um vôo diário para Johanesburgo. De lá, mais 2 horas até Port Elizabeth. A viagem foi bem tranquila e a bike chegou intacta no destino (ufa!!!!).

Port Elizabeth é uma graça, principalmente a parte que ficamos, local da prova - Hobie Beach. Logo de imediato, já fomos recebidos com um dos males previstos: o vento. O vento em Port Elizabeth costuma variar muito, mas raras vezes é menos do que 20km/h, podendo chegar facilmente perto dos 40km/h. Quem pedala sabe o terror que é isso! Há uma máxima dos locais que diz: West is best, East is beast... Ou seja, vento vindo do oeste é melhor. O vento leste é o temor de quem faz a prova: se sopra forte, as rajadas de vento cruzadas jogam a bike como pipa. Vou confessar que o vento, que estava 30km/h leste quando chegamos, me assustou. O mar então, nem vou comentar!!! Estava muito mexido. Mas ainda era quinta-feira e muita coisa podia mudar...

Local da largada da prova... e o vento!!!


Chegamos e nem deixamos o fuso horário de 5 horas a mais nos jogar na cama: fomos direto para a Expo que ficava num hotel a 1,5km do nosso. Já ficava claro que o clima de Ironman estava em tudo no bairro: atletas chegando, banners e sinais de atletas em treinamento, aquela coisa boa que esperamos tanto para viver! A semana de prova é sempre uma delícia e passa muito rápido!

Por comparação com a Expo do Ironman Brasil, a do Ironman South Africa é muito maior e num local bem melhor. Fica no centro de convenções do hotel principal da praia, The Boardwalk. Muitas lojinhas com uma variedade muito boa de produtos, loja da Merrel (marca que comercializa os produtos da franquia na África do Sul) bem completa, com muitos itens... O preço é semelhante aos do Brasil, já que a moeda deles é desvalorizada como a nossa. No geral, os preços de hotel e restaurantes são equivalentes ou menores do que aqui, então dói menos o bolso do que uma prova na Europa ou EUA.

O local de retirada dos kits ficava numa ala separada das lojas e ali vimos a organização; tudo era segmentado: pagamento da taxa diária da federação nacional de triathlon (obrigatório em provas no exterior), escaneamento do cartão de crédito para despesas médicas eventuais (internação ou atendimento hospitalar durante a prova - também obrigatório para estrangeiros), cadastro biométrico e fotográfico, retirada da mochila (sim! Uma mochila linda - todos os atletas ganharam - porque no Brasil não tem??) e das sacolas, número de peito e chip. Por fim, retirada das sacolas special needs (que aqui não são devolvidas no final - tudo que colocar nelas é descartado) e foto impressa no stand da Standard Bank - brinde para todos que queriam tirar. Tudo rápido! Espaço enorme, sem confusão.




Entrada da Expo...

Local de retirada dos kits, muito amplo e organizado!

Campanha contra a prática do vácuo - todos os atletas receberam um adesivo "I'm true" e puderam assinar o compromisso de fazer uma prova limpa!

Kit nas costas - felicidade imensa!!!

Tem como ser ruim fazer a prova num lugar assim???

Nesse dia, optamos por cumprir os treinos da planilha no próprio hotel em função do vento e do anoitecer. Acordamos no dia seguinte bem cedo e montamos as bikes. Hora de sair para dar um giro e reconhecer o percurso!

Trecho do ciclismo da prova - visual fantástico e as famosas plaquinhas alertando os motoristas
 Foi ali, naquele dia, que caiu a ficha do que estava acontecendo. Ali a emoção foi grande, só não maior do que a gratidão por poder viver tudo aquilo, naquele lugar lindo, fazendo o que gosto e competindo numa prova tão linda como o Ironman. Não consigo descrever muito bem o que senti nesses dias pré-prova, mas foi um sentimento muito, muito bom. Um calor na alma sabe? Daqueles que a gente sente em momentos especiais na vida!

À tarde, ainda faltava a natação. Tentamos entrar no mar em frente ao hotel, mas ali já dava pra perceber como funcionava: o vento entrava mais no fim da manhã e no início da tarde, aumentando a partir daí. Com isso o mar que no início do dia era mais calmo ficava bem mexido e até perigoso. Optamos por sair do mar e procurar uma piscina. Pesquisando na internet achei uma piscina coberta de 50m, fomos até lá de carro. Só não imaginava que ao chegar veria isso:

Uma piscina coberta aquecida de 50m só para nós. Pública. Entrada? 10 reais.
Choquei com a piscina do Newton Park. Pena que o treino era de 1500m, porque minha vontade era ficar ali pra sempre. Levar meu treinador do Brasil e ficar por ali mesmo treinando! (risos).

Na volta, mais uma corrida rápida na orla e fomos para o congresso técnico + jantar de massas. Mais uma vez a estrutura era de dar inveja para o padrão que estamos acostumados. Um salão de baile enorme e quatro buffets de massa muito bem servidos nos esperavam. O local do congresso é o mesmo da rolagem de vagas para Kona e premiação (que é feita num jantar especial gratuito para os atletas que ficam nas 3 primeiras posições em cada faixa etária e um acompanhante). É lindo, decorado, com um palco e telões.

Carbo load mode on!

Congresso técnico
No congresso técnico mais uma vez ficou evidente a organização dos caras por lá. Tudo é muito bem explicado e algumas coisas são bem especiais desse evento. O descarte de lixo é tratado com muita seriedade. Tanto que normalmente descartar lixo fora dos postos é punido com cartão azul, mas aqui é desqualificação na hora. Andar fora ou ultrapassar usando a outra pista (uma vez que a pista não tem mureta divisória e a ida e volta do ciclismo eram feitas na mesma estrada), desqualificação. Eles fazem questão de explicar muito muito bem tudo o que está no manual e salientar tudo o que devemos seguir para a prova ser tranquila para todos.

Assim, voando, chegou o sábado. Dia do treino oficial de natação. Mais cedo do que na sexta entramos no mar para fazer o treino. Comparando com o que estava o mar em Jurerê no iron ano passado, o mar aberto de Hobie Beach é bem mais agitado. Nada que coloque medo, mas aquela marola que irrita e enjoa um pouco. Mas a temperatura, que pode ser bem baixa, não estava nada diferente do que é a de Jurerê. Também pudera, o calor chegou forte e já dava um aperitivo do que seria o domingo!!!!

Ainda pela manhã, como ocorre na maior parte dos campeonatos continentais (o Ironman aqui também é um Championship do continente africano, assim como Floripa é o Latino-americano), os atletas que conquistaram a classificação do All World Athlete (AWA, programa da franquia do Ironman que seria como uma pontuação privilegiando fidelidade e performance) no ano anterior nas categorias prata e ouro são convidados para um Brunch onde convidados especiais fazem palestras. Foi muito bacana poder conhecer a Paula Newby-Fraser, campeã em Kona 8 vezes, coach do Ironman U que ouvi tanto no curso que fiz, e ouvir mais uma vez o que ela tinha a dizer um dia antes da nossa prova. Dela ouvi as frases que viriam na minha cabeça muuuuuitas vezes na prova: "Nunca comece uma prova de Ironman forte, comece num ritmo fácil. Se você achar fácil depois de algum tempo, sempre pode ir um pouco mais forte. Mas se começar forte e tiver que reduzir, a tragédia já começou e serão longos 42 km no final. Não há nada como a sensação de correr bem os últimos 10km de um Ironman!"

AWA Brunch - e o tanto que é legal ver o nome no telão? 

De lá para o hotel. Último giro de bike feito, hora do check-in de bike e sacolas. Achei o check-in bem parecido com as provas da franquia no Brasil. Não pegamos filas, foi tudo rápido e tranquilo. Só que lá não se pode cobrir a bike. Deu dó de deixar a coitadinha no sereno (risos), mas paciência, regras são regras... Dia lindo, nenhuma nuvem no céu, um calor daqueles.

Aproveitando um pouco da beleza desse lugar, não tem como ficar feia na foto!!!

Check-in feito!

Sacolas da T2 e o Oceano Índico nervosinho de Hobie Beach ao fundo!


Estava tudo pronto para meu segundo Iron!!!!!!!

Continua...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

TriHard Caiobá 70.3 - Relato de prova

Antes tarde do que mais tarde...
Após quase um mês de ausência, venho para postar o relato da minha principal prova nesse ciclo de treinos para o Ironman Florianópolis: o TriHard Caiobá.

A prova, anteriormente Long Distance, mudou este ano de organização e um pouco no seu percurso.
O ciclismo que sabidamente era menor do que 90 km, agora realmente tem a metragem correta. Já a corrida teve um pouco menos, mas a organização da prova no geral foi excelente.

Foi minha primeira visita a Caiobá. A cidade realmente é propícia para a prática do triathlon e há incentivo, isso me deixou muito surpresa. A praça onde fizemos nossa transição foi especialmente reformada para as provas que ocorrem lá.

Caiobá me surpreendeu... Vista do hotel, linda!!
O kit da prova foi bom. O normal, tatuagem, numeral de peito, touca, camiseta, número de bike, chips. Nenhum atropelo na entrega. Congresso técnico um pouco lotado demais, local pequeno, mas deixou tudo explicado.

Foi a primeira vez que fiz a desmontagem e montagem da bike sozinha. Um teste para Florianópolis. Na minha última viagem comprei a case Helium da Biknd por indicação de amigos e devo dizer que não me arrependo. A montagem é fácil e a colocação e transporte é muito tranquila. A primeira vez tive um pouco de dúvida e receio, mas quando fui montar novamente e desmontar foi muito mais fácil!!!

Mala bike fechada. Funcionou muito bem!!!
Confesso que cheguei no dia da prova um pouco insegura. Não fiz o Ironman 70.3 Brasília porque queria uma prova menor e mais tranquila para realmente treinar minhas transições e meu ritmo de prova para Florianópolis. Porém, com tantos treinos, o cansaço se acumula. Nem sempre você rende bem durante a semana e fica aquela dúvida: será que estou preparada?

E assim foi meu clima para a largada. Focar em cada passo, fazer uma prova pensada. Calculada.

Concentrada antes da largada. Foto: www.offshot.com.br


As condições da natação foram excelentes. Mar piscina, temperatura perfeita. Esperava até um pouco mais do meu tempo. Mas foi bom ter tido a coragem de largar no meio de todo mundo e enfrentar o bate bate de todo início de prova.

Na T1, o erro que nunca tinha cometido e que me custou alguns segundos: não deixei a sapatilha aberta para calçar na bike. Estava com o velcro fechado!!!! Esquecimento puro. Não pode mais ocorrer. Enfim, abri e calcei ali na linha de monte mesmo.

Foto: www.offshot.com.br


O percurso da bike também é excelente. Asfalto limpo, praticamente plano. Apesar de estar me sentindo forte, foquei na cadência e tentei manter em torno de 90rpm, onde me sinto melhor para correr depois. Não tenho medidor de potência, então este foi meu parâmetro. Tudo encaixou muito bem, hidratação, alimentação e posição na bike. Um único porém nos postos de hidratação desta parte: eram 3 voltas e só havia um posto no retorno lá no fim do percurso. Achei muito pouco. Ou você pegava isotônico ou água. E aí tinha que esperar mais uma volta para poder pegar outra garrafa... Minha sugestão é colocar outro posto na outra ponta do retorno.

A fiscalização tentou ser justa. Acho que nunca se consegue punir a todos corretamente, muitos vaqueiros não serão punidos e outros tantos fazendo prova honesta serão. Mas os juízes estavam atentos.

Minha T2 foi talvez minha melhor até hoje em provas. Vim nos últimos km da bike mentalizando tudo o que devia fazer, já que no Challenge ano passado perdi muito tempo. E fiz tudo muito rápido. Tão rápido que na hora de colocar tudo nos bolsos escapou um dos meus estojinhos de cápsulas de sal. Tudo bem, eu tinha outro que levei da bike. Sou a noiada da hidratação, alimentação e afins. Em prova longa, sempre levo extra de tudo!

Enfim, a corrida. Estava muito preocupada com meus treinos de corrida no ciclo. Parecia que as pernas sempre pesavam uma tonelada cada, e o pace se arrastava nos treinos. Mas confio demais no coach. E foi a hora de mostrar que a cabeça esta pronta e se as pernas estiverem um pouco mais descansadas, tudo vai fluir bem. Fiz uma ótima corrida para meus padrões. Sem quebra, sem pensar em parar, mantendo muito constante meu ritmo. Terminei a prova com meu melhor tempo em 70.3, muito, mas muito melhor do que em Brasília ano passado. Foi a injeção de ânimo e confiança que faltava para completar o ciclo de treinos puxado, cansativo, mas que estou curtindo muito.

Segundo lugar na Categoria!!!
E veio até pódio na categoria. Um segundo lugar no age group e oitavo feminino geral. Muito, mas muito feliz mesmo.





E agora segue o baile... 4 semanas para a largada de um sonho!!!!!!!!